2.26.2010

Ostara




The world I love is the world I lost
Broken, plundered and wasted
The memory burnt
From the Soil and the Sun
A black epitaph of the ages

The world you curse
Is the one I love
The Virgin a Whore
In the Garden
Crowned upon the Earth's ordure
I bear no wounds
And I bring no cure

Pain is where this world begins
And pain is the heart of all endings
Every pilgrim that bears
This burden of truth
Only the few have learnt to lose

I curse the Father
And I scourge the Son
I burn down the Holy of Holies
The One in Three
And the Three in None
The march of the proud Black Templar

2.23.2010

Histórias de amantes VI e VII


VI
Disse a ele que não se preocupasse: estava atarefada demais, a mesa de trabalho com pilhas de papel, o tempo reduzido a um minúsculo souvenir que escorregava por entre seus dedos. Compromissos inadiáveis, eis a explicação dada.

Ele compreendeu imediatamente, mas com a máscara do Fingimento. Levar para o campo de batalha da discussão uma causa perdida não lhe parecia sensato. Entretanto, deveria ter inquirido aquela mulher que ainda amava, mas era claro o que acontecia assim como são claras e brilhantes todas as verdades que matam: evitava-o, queria aquele homem longe de si e para isso se valia de todos os expedientes e especialmente da mentira.

__________________________________________

VII
Imaginou como seria viver acordando sempre no mesmo quarto e ao lado da mesma mulher: o mesmo cheiro, os mesmos trejeitos, a mesma forma de dispor as xícaras para o café, a voz mole e manhosa do pós-despertar, os abraços ternos, a cumplicidade que somente se constrói através dos anos.

Ela jogava água no rosto para despertar enquanto ele, ainda na cama, se perdia nessas reflexões. Atento aos movimentos de sua amada, não desconfiava que o futuro muitas vezes trai os sonhos mais bonitos e coloridos, que muitas vezes arremessa no vermelho da Destruição até as belezas mais intocadas.

2.19.2010

UGRA PRESS

Em conjunto com o senhor Douglas Utescher (antigo cúmplice em diversas formas de crimes) começamos oficialmente hoje a UGRA, uma empreitada experimental interdisciplinar dedicada à produção, pesquisa e fomentação de cultura radical e alternativa.

O primeiro lançamento da UGRA será um livro que reunirá os melhores momentos da produção do Dissolve//Coagula, como eu já disse no post anterior. Previsão oficial: final de abril. Além disso, para esse ano teremos outras duas publicações.

O Manifesto da UGRA pode ser lido no blog http://ugrapress.wordpress.com/. Todas as quartas-feiras à noite o blog da UGRA será atualizado, abordando temas como música, literatura, filosofia, etc. Escreva aí na sua agenda.

Não, isso não significa que o Dissolve//Coagula morrerá. Como uma doença incurável, eu carrego esse blog comigo. Por uma decisão deliberada, afastei-me dele para me dedicar integralmente ao "nascimento" de meu novo monstro. Há histórias em andamento para muito breve publicação aqui. Até lá, que os deuses nos protejam das chuvas que maltratam São Paulo.

2.01.2010

Novidades sobre o livro

Terminei agora a revisão do livro que reunirá, em versões modificadas, os posts que considero os mais representativos do Dissolve//Coagula.

Serão dezenove textos que, em meu entendimento, sintetizam a produção que desenvolvo aqui desde setembro de 2006.

As mudanças empreendidas nos textos foram variadas. Em alguns, reescrevi passagens inteiras; em outros, suprimi trechos supérfluos; também inseri muitas coisas novas, principalmente nos textos mais antigos. Revisei todo o conteúdo, até onde me lembro, quatro vezes (e eu acho que ainda foi pouco, mas por fatores externa e bons conselhos de amigos mais próximos resolvi deixar a obsessão crítica de lado e entregar o produto tal como ele está).

O interessante nesse processo foi perceber como fatos vividos desencadearam textos que se distanciaram e muito das minhas vivências. Em outras palavras: por mais que experiências pessoais possam influenciar o processo criativo, elas não foram determinantes para a composição de boa parte do que escrevi até agora. A fantasia divide com a experiência direta o palco onde meus personagens vivem, sofrem e cometem atos desvairados. Talvez não ainda da forma como eu gostaria, pois sempre me sinto um enorme aprendiz do ato de escrever, principalmente quando leio os mestres de sempre (Dostoiévski, Cortázar, Cioran). Apesar disso, o resultado geral me deixou satisfeito.

Perguntaram-me quem irá lançar o livro. Será um editora nova, que estou construindo em companhia de um velho amigo. O objetivo é produzir trabalhos de uma forma especial, arrisco a dizer artesanal, e com meios próprios. Não leia nisso trabalhos-faça-você-mesmo-precários-e-toscos. Justamente o oposto: edições artesanais e únicas, mas primorosas. Feitas para serem apreciadas em uma confortável poltrona, manuseados enquanto se fuma um cigarro, levados na mochila nas viagens. Uma tentativa algo quixotesca de reavivar o impresso em tempos digitais, uma bandeira hasteada com orgulho em prol das prensas de Gutenberg.

Quando estará disponível, agora eu não sei dizer. Mas posso dizer que a parte mais complicada, que era a revisão, terminou. As novidades eu conto logo mais.