11.23.2011

"Axe is the name of mine", de Alexander Dugin - parte 2


Como prometido, a segunda parte da tradução do ensaio "Axe is the name of mine", do pensador russo Alexander Dugin.


Como é um ensaio longo, esse post se divide em três partes:
Parte 1                    Parte 2                       Parte 3

Nessa segunda parte prevalece uma discussão sobre conceitos religiosos. É a  necessária ambientação para o final do ensaio, onde Dugin mostra claramente a sua visão apocalíptica sobre o romance máximo da literatura russa, encerrando com um verdadeiro chamado às armas .

Pretendo postar a última parte na sexta-feira dia 25/11. A primeira parte você encontra aqui. Boa leitura!

11.18.2011

"Axe is the name of mine", de Alexander Dugin - parte 1


Esse post é a tradução do texto “Axe is the name of mine”, do russo Alexander Dugin, onde ele propõe uma bizarra e interessantíssima interpretação metafísica do romance "Crime e castigo", de Dostoiévski.

Como é um ensaio longo, esse post se divide em três partes:
Parte 1                    Parte 2                       Parte 3

Dugin é o principal intelectual do Eurasianismo, movimento surgido nos anos 1920 que clama ter a Rússia uma identidade completamente diferente da Europa Ocidental. Os eurasianistas consideram a Revolução Bolchevique como uma reação do espírito russo à sua rápida e degradante modernização, e que compete agora, aos eurasianistas de hoje, unir a grande Mãe Rússia e suas regiões de influência – Cáucaso, Irã, Georgia e, mais recentemente, Turquia – em um bloco de rejeição contra o Atlanticismo, termo geopolítico cunhado por Dugin para designar o domínio norte-americano sobre o mundo. É o Eurasianismo, segundo Dugin, uma nova revolução anti-americana, cujos aspectos são a princípio políticos e econômicos, mas também tem profundas dimensões militares, culturais e espirituais.

Não bastasse o texto de Dugin tratar de um dos meus romances prediletos, a sua interpretação metafísico-simbólica do texto é absurdamente magnífica – quer você concorde com as idéias lunáticas dele ou não. Aliás, o grande valor de Dugin está justamente na sua predisposição ao extremo, ao combate franco e aberto e, por que não dizer, a de ser o profeta-líder desse novo mundo eurasiano - pretensão que se harmoniza perfeitamente com o seu próprio semblante messiânico.

É  na voz dos extremistas que muitas vezes o dínamo do motor da história se mostra mais claramente. Dugin é um dos pensadores extremos do mundo de hoje. Ouvir o que ele tem a dizer mostra que ainda há ferocidades presentes em vários lugares do globo e que a nostalgia de uma grandiosa Rússia ainda move corações e mentes que parecem estar prontos para o assassinato.

Como é um texto relativamente longo, eu o publicarei em três partes. A próxima divulgarei na terça-feira que vem, dia 22 de novembro.

Agora, o texto.


11.12.2011

Teologia 3 (de Eduardo Galeano)



Errata: onde o Antigo Testamento diz o que diz, deve dizer aquilo que provavelmente seu principal protagonista me confessou:

Pena que Adão fosse tão burro. Pena que Eva fosse tão surda. E pena que eu não soube me fazer entender. 

11.09.2011

O vozerio dos senhores de engenho pós-modernos


Após ver um monte de comentários sobre a ação da Polícia Militar na USP, a conclusão óbvia: as pessoas não pensam,  limitando-se a copiar como tontos papagaios o que vêem na televisão e o que lêem na Internet.

11.07.2011

O ridículo da antipolítica

O texto a seguir foi publicado pela Folha de São Paulo em 25 de agosto de 2011. Permaneceu favoritado no meu Delicious desde então e, hoje pela manhã, em uma faxina autoimposta nos links acumulados, o reencontrei.

11.05.2011

Gênesis 1, 28



"Deus os abençoou: Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."

Sentença proferida em 1587 no processo contra o prior de Trancoso (autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5, maço 7):

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres". Não satisfeito tal apetite, o malfadado prior, dormia ainda com um escravo adolescente de nome Joaquim Bento, que o acusou de abusar em seu vaso nefando noites seguidas quando não lá estavam as mulheres. Acusam-lhe ainda dois ajudantes de missa, infantes menores que lhe foram obrigados a servir de pecados orais, completos e nefandos, pelos quais se culpam em defeso de seus vasos intocados, apesar da malícia exigente do malfadado prior.

[agora vem o melhor:]

"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou pôr em liberdade aos dezessete dias do mês de Março de 1587, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e, em proveito de sua real fazenda, o condena ao degredo em terras de Santa Cruz, para onde segue a viver na vila da Baía de Salvador como colaborador de povoamento português. El-rei ordena ainda guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".

(retirado de um e-mail da lista Planeta Cioran)

11.03.2011

Trecho de "História do olho", de Georges Bataille


Para os outros, o universo parece honesto. Parece honesto para as pessoas de bem porque elas têm os olhos castrados. É por isso que temem a obscenidade. Não sentem nenhuma angústia ao ouvir o canto do galo ou ao descobrirem o céu estrelado. Em geral, apreciam os "prazeres da carne" na condição de que sejam insossos.

Mas, desde então, não havia mais dúvidas: eu não gostava daquilo a que se chama "os prazeres da carne" justamente por serem insossos. Gostava de tudo o que era tido por "sujo". Não ficava satisfeito, muito pelo contrário, com a devassidão habitual, porque ela só contamina a devassidão e, afinal de contas, deixa intacta uma essência elevada e perfeitamente pura. A devassidão que eu conheço não suja apenas o meu corpo e os meus pensamentos, mas tudo o que imagino em sua presença e, sobretudo, o universo inteiro.

(página 58, edição da Cosac Naify de 2003)